A Bailarina

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Em 1881 quando Degas exibiu sua bailarina, foi um escândalo na sociedade parisiense, queriam manda-la pra o museu de zoologia ou de anomalias humanas, consideravam a escultura com olhar obsceno, o formato do rosto foi comparado aos piores bandidos e assassinos daquela época.

O artista levou para dentro dos salões de arte um espécime de olhar atrevido, moldado em cera e composto de  tecido e cabelo humano(materiais inéditos e considerados vulgares), retratava de forma crua,  uma jovem esquálida,  de aproximadamente 14 anos de feições não nobres.

O artista escandalizou quando mostrou de forma realista e nua a hipocrisia  dos poderosos que ao financiavam as artes dos  balés, na realidade o objetivo maior era se beneficiarem com a prostituição infantil das bailarinas.

 127 anos depois no sul das Américas, crianças esquálidas, de semblantes morenos, com menos de 14 anos são leiloadas para satisfação do turismo sexual dos europeus. São  pequenas bailarinas e malabaristas de instrumentos torpes, são dançarinas da quadrilha  dos poderosos degenerados.

São nossas pequenas meninas, de olhares atrevidos.

 

Pesoa

 

A poesia é triste

A poesia existe.

Quando o poeta é feliz

A poesia peca.

Quando tudo arde de paixão

Sinto as palavras irem para longe.

Já dizia Pesoa

Só existe poesia na angústia

Desculpe-me poeta maior

Que morra a poesia

Estou feliz com meu amor

tomaz e o ovo

Verde

A mata pariu no meio do seio vermelho
iluminado dia de outubro que trouxe para mim ?
foi a brisa que caiu da árvore molhada de rio
verteu para o meu peito temperado de rosa
veio com os pés quentes de menino dourado
aqueceu minha nuca gelada
de neve da solidão
mexeu com meu sangue
ardeu o meu sexo
regou minha vida
fez-se verde

Quando me encara com essa boca

fico azul amarelado

me acompanha por entre a  multidão

e eu só solidão

escoro na parede molhada

encurto o caminho da volta

vou desvirtuando a noite

por entre as gargalhadas da rua

chuto o cão e viro  a lata

dou graças e te perdôo

mais uma vez.

Queria a tua distância

que me violenta e me castra

da felicidade

do encanto

de  ter sua boca

que me encara e não suplica. 

retornável e descartável

retornar um dia seria um erro.

retornar é voltar e sentir de novo

o cheiro da flor, o travo da jabuticaba verde

 o mistério de caçar casulo

andar descalço no quintal de pedra

e sentir a dor da picada de abelha no pé

retornar  é ressurreição

é restauração de coisas que foram ruins

das pancadas na cabeça, das migalhas da sua mesa.

retornar é sentir sede e a garganta seca

é se perder até não poder

é suar de  tesão no meio do bambuzal.

retornar é voltar a ter medo

de cá do muro

ornado da cruel tortura  

da  idade infame.

retornar é ouvir o eco do  berro

do xingo

dos meninos da escola.

retornar é arrancar a ruga

é não querer voltar nunca.

Mãe

fabricar o ser, torna o vínculo anímico.

o desconforto

dores

são esquecidas no momento da troca dos olhares

entre a cria e a criadora.

no meio de porcarias, cheiro desagradável, choros intermináveis,

noites mal dormidas e a insegurança da criação, 

nasce a correspondência e a cumplicidade dos dois seres.

amor materno.

o homem

traz em si  a  invídia natural  o vazio maternal,

jamais algo tão intenso, irracional, imortal, atemporal

irá somar.

o quanto igual a você eu queria ser, eu queria ter.

 

Trapiches chegou e arrasou

O n° 1 da TRAPICHES, a revista eletrônica sobre arte e cultura do Projeto Macabéa já está pronta, navegar pelas 22 matérias, dividas pelas seções: Grãos, A Granel, Boneca de Pano, Olho Mágico, Secos e Molhados, Presentes Finos e Perfumaria é ouro puro,entrevistas, crônicas, contos, poemas, críticas, etc… E ainda tem o Extrapiches, que traz – Cais -  sempre com uma seleção de 10 blogs indicados pela Revista. Aproveite e inscreva-se no 1° Concurso Literário e mostre seu talento.

Acessem aqui: www.trapiches.com.br, e boa leitura!

 

Por quê?

 

 

no silêncio a infância dorme.

respira a indiferença  do mundo.

ouve-se apenas o ronco

vem das entranhas.

nenhum grito acordou a justiça humana.

Uma vítima

do poder, do consumismo perverso

do egoísmo

floresce no canteiro da gaia.

seu destino não é crescer.

poucos notam. ninguém reclama.

todos preocupam com o brilho do céu.

algo mudou de cor.

 

nota: Nada contra os cachorros, pelo contrario amo esses bichos, mas o que a frança e os EUA gastam com ração para cachorro por ano daria para matar a fome de todos os humanos do planeta que vivem em  extrema  pobreza. (UNESCO/2000) Tem alguma coisa que está errada.

desculpe em !!!!

 

Desculpem a ausência, mas foi providencial

balanço total,

parar com tudo e  meditar

foi a solução encontrada.

de repente a gente acorda do nada

perde tudo… até o chão.

questiona, pensa e pensa.

o que fizemos com nossos dias?

anos?

investimento profissional …

investimento sentimental  

investimento humano …

sou do século passado e ai ?

me senti a cigarra ( aquela da fábula) fumando cachimbo.

começar de novo, do começo.

batalhar o pão de cada dia

tarde?

talvez

mas necessário.

Puta merda … como doeu e que MEDA !!!!  

insegurança   da porra   …

senti perdido…

aposentado sem aposentadoria

MASSSSSSSSSS

sou protegido por arcanjo do bom.

salve miguel, jorge, expedito, josé e maria e  o menino azul dourado.  

Tudo se arranjou.

 

Convite de Morfeu

série mandala III - Vaza

série mandala II - O despertador

Série Mandala I - o grito

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Vampiro

Antínoo

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Atínoo-M. do louvre

   

  • por Marguerite Yourcenar uma obra de literatura-arte dos anos 50,

por Adriano, imperador romano, o mais  amado, a tal ponto que o

transformaria em um deus, referenciado pela humanidade até os dias

de hoje.

  • pelo próprio Antínoo, a total doação.

  • por Édouard-Henri Avril, a inspiração erótica.

  • por Fernando Pessoa, a poesia.

  • por Roma, a alavanca para o progresso das artes, arquitetura, das

leis e do imperio.

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 Para constatar a genialidade da obra de Yourcenar, em Memórias de Adriano,
um misto de pesquisa histórica romanceada, ficção e realidade, somos
convidados a viajar pela vida da autoraMarguerite, sobrevivente de uma paixão
impossível por um homem que gostava de outro homem (1936), encontrou e
amou Grace Frick(1937), americana, na casa de quem já havia passado um
longo inverno. Instala-se em companhia de Grace Frick na solidão da ilha de
Montes-Desertos (Maine-EUA), torna-se cidadã americana em 1947.
Começa a escrever o romance Memórias de Adriano em 1949 e o termina em
1951, no livro “Ela evoca um homem que constrói sua felicidade “como uma
obra-prima”, mas que a paixão pelo belo Antínoo (ou Antínous) e a dor de sua
perda vão transformar numa vertigem de imortalidade a glória do ser amado.”
A questão é: A obra retrata o momento da autora, inspirada pelos
acontecimentos de sua própria vida amorosa, ela se auto-exilou com sua amada
Grace em uma  ilha americana,  como se protegesse  a relação dos olhos
maliciosos  e do preconceito do  resto da humanidade, na obra, ela foca Roma
de Adriano, que foi  antecedido por vários imperadores conhecidos pelas urgias
e erotismo que compunham suas vidas amorosas, relata com quase inocência,
com total sensibilidade e categoria literária, o amor homossexual de Adriano e
Antínoo.
O livro nos traz o otimismo de Adriano em administrar o império como um
filósofo grego, proporciona a evolução das leis que passaram a dar  direitos às
mulheres e amenizava o tratamento  do séqüito de escravos palacianos, era
adepto a paz e a conversação com os adversários, fundamentou o sistema
educacional para os romanos, era adepto das artes  e de inovações
arquitetônicas.
Toda a sensibilidade que Adriano utilizou para a evolução administrativa do
império foi como uma  reverência ao amor que vivenciou a cada momento da
historia, sem se incomodar com as intrigas da corte e tem o desfecho final a
relação com Antínoo, o mais amado de todos  e a desgraça que gerou sua
morte. 

Situação

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È quase noite, o relógio  espanca o tempo que passou.

Desponta o momento para logo desaparecer na fumaça.

Ele pensa estar flutuando, quase enxerga a plenitude.

A realidade o acorda, encosta a boca suja no peito e suga o leite de tempos

vividos.

Nada sobrou.

Cínica onda que trouxe o prazer, agora enfia no frio do mar e esconde no sal

dos seus olhos.

Torpes pecados povoam a mente, o erro foi nunca tê-los vivido.

O que fizeram dos seus dias?

A porta de correr jamais será aberta, suas mãos agora descansam no ócio

forçado.

Nada a fazer.

Filas, entrevistas e cadastros foram deixados para traz.

O pão fresco, o cheiro do café com leite.

O doce aroma matinal sempre trazia a expectativa do trabalho a ser

cumprido, dias de dignidade se foram e se perderam na crosta do sistema

falido de quem agora tem o poder.

De mãos estendidas reclama a sorte.

Grande delito!!!

dedicar demais, arrebentar o peito na luta e procriar a labuta.     

Expurgo do tempo

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preciso de horas,

deitar e ouvir

o cochicho do tempo,

sentir,

sem chorar,

voltar.

pegar o ar com a boca

e falar,

dissimular a dor,

abrir o passo,

entrar,  

beber,

e compor

versos,

mesmo que sejam tarde.

ainda vou ver

a claridade da aurora

nascer

do tumulto ridículo de ser

um dia

de cada vez.

 

 

Buno em monte santo

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Inicio o ano lançando o Cada em pleno carnaval, em Monte Santo de Minas, pequena cidade situada no sudoeste do estado. A realização do evento está a cargo do pessoal do Projeto Macabéa, especialmente Alan Marques e André Oliveira. Aproveito a oportunidade para anunciar também a chegada do tão aguardado segundo número da Revista de Autofagia, que finalmente ficou pronto e terá sua pré-estréia nesse mesmo lançamento. Anotem em suas agendas.
Serviço:
Lançamento do livro Cada
Data: 03/02 (domingo)
Local: Casa da Cultura (R. Dr. Pedro Paulino da Costa, 333, Monte Santo de Minas)
Horário: 19 horas
Apoio: Secretaria Municipal de Educação e Cultura / Prefeitura Municipal de Mte. Sto. de Minas
Na ocasião, os livros Cada e Mínima Idéia serão vendidos a R$15,00 e a Revista de Autofagia a R$10,00 cada exemplar.

Quem fim levou gatinha?

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Era filha de elza “a gata”, isso foi lá nos anos 40.

foi criada nas borbulhas dos coronéis do café.

de beleza estonteante

debutou nas coxas de um filho deles.

caiu nas graças até de filho do médico e

engravidou,

sugaram seu ventre e a sua mocidade,

levaram sua cria para europa.

Ela ficou.

seguiu a tradição da mãe,

viveu somente para solidão,  o álcool e

o leito duro.

sarjeta nunca perdoa.