Anjo torto está migrando para outro endereço vá conferir
Postado em comentário em dezembro 2, 2011 por AlanChegou o cão terapêutico
Postado em comentário em agosto 18, 2011 por AlanEra uma manhã fria de julho, pontualmente as 06h45min a auxiliar de serviços gerais do Centro de Atenção Psicossocial-CAPS de Monte Santo de Minas registrava o ponto de entrada, naquele dia ouvia um barulho diferente dos outros dias, era uma mistura de choro e uivo, vistoriou toda área interna e externa da unidade a procura do som. Inusitadamente encontrou um bolo de jornal amassado no meio do canteiro de verduras, e dentro todo embrulhado surgia um cãozinho de cor preta e amarela, lutando para sobreviver à queda que sofreu ao ser jogado do lado de fora para dentro do alambrado. Imagino que o filhote de vira-lata deveria ter alguns dias de vida, sugava o dedo da funcionaria a procura de leite materno.
Daquele dia o cãozinho foi batizado pelo nome de “Berilo” ninguém sabe o motivo, talvez por ser nome de um metal raro. Os pacientes habituados a freqüência intensiva do CAPS, logo que chegavam encantavam com o novo e frágil hóspede. Deste momento em diante funcionários, profissionais especialistas e pacientes revezavam os cuidados, para salvar o bichinho, ele era alimentado a toda a hora, com uma mistura de leite e água, em um vidro de refrigerante adaptado como mamadeira.
Os primeiros passos cambaleantes e desajeitados do Berilo foram festejados pelo pacientes portadores de transtorno mental do CAPS, a sobrevivência do cãozinho foi uma vitória conquistada por ele próprio e pela ajuda de todos.
Berilo passou a ser apadrinhado e cuidado inclusive final de semana feriados, dias estes que a unidade não é aberta ao público.
Berilo passou a ser chamado de “O cão terapêutico”, devido à união que ocasionou na equipe multiprofissional e aos pacientes que neste momento passaram a ter um incentivo a mais para freqüentarem a unidade de saúde mental.
Berilo atualmente está no CAPS como guardião do prédio durante a noite e como cão terapeuta durante o dia, se sente tão a vontade e amado neste local, que trouxe a namorada (uma vira-lata de rua que atende pelo nome de Lara) para compartilhar com ele a empreitada de serviço diário.
Síndrome de Burnout
Postado em angel delirius, comentário, texto em junho 23, 2011 por Alan
A paciente H foi atendida no CAPS com quadro de depressão, stress e idéias de auto-extermínio, baixo autoestima, crise repentina de choro, irritabilidade exacerbada – Hipótese diagnóstica Síndrome de Burnout.
Faxineira, compulsiva com a limpeza do ambiente de trabalho, acha que somente o seu trabalho é perfeito, age com cinismo quando fala dos companheiros de trabalho. Apresenta insônia, ansiedade e relata estar sobrecarregada com responsabilidades familiares, sic (assumo problemas de todos, marido, filhos e mãe idosa, no trabalho só eu faço o serviço que precisa ser feito, deixo um pedaço de papel em lugar estratégico para ver no outro dia se a outra faxineira limpou aquele local, ela nunca limpa).
H tentou furar os olhos com uma tesoura, porém não teve coragem, cortou os próprios cabelos de forma violenta e desarmônica. Sic (queria furar os olhos para não ver ninguém, queria não enxergar mais, para não ter o que fazer mais nada).
O fato querer furar os olhos e cortar o cabelo nos traz a idéia de ela querer mudar seus hábitos, descansar da perfeição autodeterminada, não assumir a posição de administradora familiar nem do excesso de zelo no trabalho.
O termo síndrome de Burnout resultou da junção de burn (queima) e out (exterior), caracterizando um tipo de estresse ocupacional, durante o qual a pessoa consome-se física e emocionalmente, resultando em exaustão e em um comportamento agressivo e irritadiço. “Boa parte dos sintomas também é comum em casos de estresse convencional, mas com o acréscimo da desumanização, que se mostra por atitudes negativas e grosseiras em relação às pessoas atendidas no ambiente profissional e que por vezes se estende também aos colegas, amigos e familiares”
Parte dos pacientes que o procuram atendimento médico com depressão são diagnosticados com a síndrome do esgotamento profissional, um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (profissionais da saúde, professores e outros).
O transtorno está registrado no Grupo V da CID-10.
Sintomas:
O sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima.
Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, distúrbios gastrintestinais são manifestações físicas que podem estar associadas à síndrome.
Observação:
No CAPS em um ano foram atendidos três motoristas de ambulância, duas servidoras de serviços gerais, uma Agente Comunitária de Saúde do quadro funcional municipal da área da saúde, e tudo leva a crer que são portadores da síndrome de burnout.
Esta doença é mais comum que imaginamos, infelizmente é de difícil diagnóstico por parte dos Clínicos, que geralmente tratam as conseqüências sem ver necessariamente a causa.
Previdência
Postado em dores e oratorios, poesia em março 29, 2011 por AlanMesmo que ainda sejam mãos
Agradecem.
Mesmo esquecidas
Ainda prontas.
Pelo árduo trabalho, curvas, tortas e velhas,
Porém, acolchoadas com a sabedoria dos tempos.
Calos endurecidos pelas memórias velhas,
Brilham ao som do terço de perolas rotas.
Memórias novas são esquecidas
Guardando o rosto dos ingratos e imaturos governantes.
Feliz deles que não envelhecem nunca.
Apenas esquecem…
Um dia virá o tempo encharcado de ira
Que em roucas mãos trarão novos moços.
Almas Fraturadas
Postado em artes do cotidiano, comentário, texto em março 24, 2011 por AlanMJC, 52 anos e KCC 22 anos, mãe e filha, ambas pacientes do CAPS, diagnosticadas como portadoras de esquizofrenia paranóide.
Vivem obsessivamente juntas, desconheço onde começa ou termina uma e a outra, elas são produto de uma argamassa fundida na fantasia, onde os ingredientes são varias personalidades alienadamente construídas sobre castelos, Guerrilhas ou acontecimentos políticos, evoluindo para delírios persecutórios e de grandeza.
Naquele momento em que os agentes da mistura são antagônicos, elas se tornam agressivas uma com a outra, podendo utilizar de violência física, partindo sempre da filha para mãe e nunca o contrário. Nota-se claramente o sentimento maternal de proteção MJC para com KCC em todas as ocasiões.
MJC chega suada e descontrolada para mim – Acabei de perder a Rede Record e estou em vias de perder também a Rede Globo, fui vitima de uma artimanha do meu irmão Luiz Henrique. (personagem fantasioso). Chora compulsivamente. -Ele faz parte do conselho da Escola onde a KCC estuda, (a filha tremendo de medo faz gestos de concordância com a fala da mãe)
- Conseguiu seqüestrar ela e tive que entregar tudo, ele persegue a menina e ela não pode mais voltar a estudar. Pude contatar Che (referindo ao revolucionário argentino Che Guevara), mas, ele nada pode fazer frente à campanha nazista que se instalou por aqui. Aviões já estão sobrevoando a cidade, médicos nazistas se encontram disfarçados neste local. São mandantes e capangas dos mandantes todas estas pessoas que você esta vendo no pátio.
A chefa dos capangas é aquela senhora (mostra a enfermeira da unidade), ela pensa que não sei. Agora vou por a boca no mundo, vou ate a radio FM e dizer tudo que sei.
Quando aqui vim morar, fui convidada pelo casal (segundo ela, esse casal que manda na cidade) para dirigir esse município, protegê-los dos mandantes e do crime organizado. Tenho um diário que me foi entregue, nele consta a vida de todos, inclusive a sua.
Não quero mais fazer parte desta trama. Vou almoçar tenho fome, comerei menos hoje em memória das vitimas do Japão. Quero limpar o mundo, me sinto sozinha, sozinha.
A caixinha de alabastro
Postado em anjotorto, comentário em março 17, 2011 por AlanTenho mania de levar para minha sala de trabalho tudo que me faz lembrar pessoas que eu amo ou acontecimentos agradáveis. A aproximação com estes objetos me faz sentir em casa. E assim, toda vez que eu tenho que mudar de sala uma verdadeira mudança me aguarda, entre as bugigangas uma caixinha de alabastro é especial.
SCO, 42 anos, paciente do CAPS, portadora de esquizofrenia paranoide, perguntou-me certo dia:
Que utilidade teria aquela caixinha? Brincando com a pergunta, disse que era para alguém levar as alianças, no dia do meu casamento – ela apertou a caixinha no peito, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
– Tenho um vestido, cor de rosa, rodado e de renda, combina com a cor da caixinha;
Compreendendo a intenção, disse a ela – Teria enorme prazer em ter você como minha madrinha de aliança no dia do meu casamento. Porém esse dia pode demorar muito ou nunca chegar.
Ela me encarou com seus olhos grandes e insanos, abriu um sorriso enorme na sua face corada e gorda,
– Eu sempre quis ser madrinha de aliança, é a coisa mais linda que você poderia me oferecer.
Era tarde para eu dizer que tudo era brincadeira.
Desde esse dia ela entra na minha sala como de costume olha a fonte de água sobre a mesa, olha para caixinha e diz docemente: você precisa casar …
O Efeito da autocompaixão na saúde
Postado em comentário em março 11, 2011 por AlanVocê se trata tão bem quanto trata
seus amigos e familiares?
TARA PARKER-POPE
DO “NEW YORK TIMES”
Essa pergunta está na base de uma nova e crescente área de pesquisa psicológica intitulada autocompaixão, que avalia a benevolência com que as pessoas se vêem.
Pesquisas sugerem que aceitar as próprias imperfeições é o primeiro passo para uma saúde melhor. Pessoas com notas altas em testes de autocompaixão têm menos depressão e ansiedade.
Dados preliminares sugerem que a autocompaixão ajuda até a perder peso.
Essa ideia parece contradizer os conselhos de médicos e livros de autoajuda, que sugerem que autodisciplina leva a uma saúde melhor.
Segundo Kristin Neff, pioneira nesse campo, a maior razão pela qual as pessoas não têm mais compaixão por si mesma é o medo de se tornarem autoindulgentes.
“Elas acreditam que é a autocrítica que as mantém na linha. A maioria das pessoas se equivoca, porque nossa cultura recomenda que sejamos intransigentes”, afirma Neff, professora de desenvolvimento humano da Universidade do Texas, em Austin
EXCESSO DE CRÍTICA
Imagine como você reagiria a uma criança com problemas na escola ou que come junk food demais. Muitos pais ofereceriam ajuda a ela.
Mas quando adultos se encontram em situações semelhantes, muitos caem em um ciclo de autocrítica e negatividade. Isso os deixa ainda menos motivados para efetuar mudanças.
“A razão pela qual você não deixa seu filho comer cinco potes de sorvete é que você se preocupa com ele. Se você se preocupa consigo mesmo, faz o que é saudável e não o que fará mal.”
Uma resposta positiva à afirmação “desaprovo minhas próprias falhas e inadequações e me avalio mal por isso”, por exemplo, aponta para falta de autocompaixão.
Nesse caso, escrever uma carta de apoio para si mesmo ou listar suas qualidades e defeitos, lembrando que ninguém é perfeito.
Se tudo isso soa um pouco tolerante demais, há evidências científicas que confirmam a validade da teoria.
Uma pesquisa na Universidade Wake Forest convidou 84 mulheres a comer donuts.
Para um grupo, o instrutor disse: “Todo o mundo que participa do estudo come isto, então não há razão para você se sentir mal por isso.” Para outro grupo, ele não disse nada. Resultado: o primeiro grupo, com menos culpa, comeu menos.
“O problema é que é difícil desaprender os hábitos de toda uma vida”, afirma Neff.
Editoria de Arte/Folhapress
recomeço
Postado em artes do cotidiano, comentário em fevereiro 21, 2011 por AlanQuando apontei no portão do CAPS, após um mês de ausência, vi nos rostos dos pacientes, sorrisos de boas vindas. Foram quarenta minutos para responder as perguntas e dar explicações de como foi minhas férias, também de escuta de quanto SLN, DSM, ACS e outros sentiram minha falta. SCO ficou meio arredia e sempre a distancia me olhava com disfarce, foi chegando devagar até bem perto de onde eu estava. Pus a mão no seu ombro e carinhosamente perguntei – O que houve? – Após um emaranhado de gestos e reviravoltas nas órbitas dos olhos ela me perguntou – “Onde você estava, quando aqui eu vinha todos os dias? – Foi um pequeno descanso, mas estou de volta, respondi. – Para algumas coisas tarde demais, para outras ainda em tempo. Agora vá trabalhar-.
Meio século de vida, penso em Voltaire e faço um pedido à Terra.
Postado em comentário em dezembro 29, 2010 por Alan“Como é duro odiar os que se gostaria de amar.”
Dos iluministas o mais cínico, Voltaire nos traz nas entrelinhas desta frase tanta verdade, quanto verdadeiro é o nosso dia a dia de simples mortais.
Penso o quanto gostaria de amar todas as pessoas, os governantes, os fazedores das leis e os possuidores da balança que nos julga. O quão seria bom encontrar seriedade, confiança, humanidade e respeito nos atos daqueles que deveriam nos proteger e amar enquanto seres humanos e cidadãos.
São pessoas como eu, como você.
Porém dotados do poder, exercem, utilizam meios completamente ignóbeis e avessos para o fim desumano, faria Clístenes, convencionalmente chamado o “pai da democracia, revirar no túmulo de mármore grego.
Não obstante, o mármore é a pedra fundamental para este espécime, bonita aos olhos, moldável as conveniências, absorve da água límpida ao pútrido lodo.
Como viver e conviver com idéias tão contraditórias a tudo que se materializou e se tornou valores essenciais e vitais para mim.
Meio século de vida neste planeta.
“Terra! Terra! Por mais distante. O errante navegante. Quem jamais te esqueceria?…”
Terra!! Não queria te odiar, queria ter enorme amor nos meus olhos enquanto te sinto em meus pés, portanto, faz-se valer da sua maternidade criadora de homens e perpetua o sentido maior de viverem em ti e para ti e primordialmente para nós.
Natal (reflexão)
Postado em comentário em dezembro 24, 2010 por AlanJá é natal.
Não posso me conter.
em volta da mesa pessoas se juntam em nome do peru, do abacaxi da pinha,
dormem enfastiados, vomitam e peidam para os que nada tem.
sorrisos e choros de crianças mal criadas,
nunca se satisfazem com o que traz o velho gordo.
outras adormecem sobre o estômago oco,
sonham com altdors cheios de sorrisos e presentes vermelhos,
andam pelas ruas no ritmo dos sinos que os fazem lembrar que foram esquecidas.
solitários, trôpegos e famintos margeiam o canal procurando o pasto,
burros e jegues sopram e aquecem o prato vazio,
a estrela sumiu no meio da fumaça de veneno.
reis negros e brancos trocam tiros no bar da esquina delimitando o território.
Meu Deus !!!!!!!!!!!!!!!!
esqueceram o menino.
obs. dedico este post aos “atletas que em evento promovido pelo patrocinador do time, maioria dos jogadores do Santos se recusaram a fazer entregas de ovos de páscoa para 34 pessoas – entre elas crianças e adolescentes com paralisia cerebral – porque a instituição beneficente segue a rotina espírita.
Neymar, Robinho e Ganso, entre outros, foram até o local, mas não desceram do ônibus.
Como posso concordar com ídolos da atualidade, cheios de músculos e sem nenhum crescimento humanitário.
“Cresçam Pessoas”
Férias
Postado em comentário em dezembro 22, 2010 por Alan
Lembro-me que há oito anos estava nesta mesma euforia, chegada das férias, agora após todo este tempo não sei o que fazer.
Os pacientes do CAPS, como sempre transparentes como cristal fizeram questão de dizer o que estão sentindo:
SLN : “Você vai vir nos visitar, vou sentir saudades, afinal somos amigos. Não somos?”
JAM: “Vim aqui te desejar boas férias”.
N: “Acho que vou tirar férias com você, quando voltar eu também volto”.
São palavras simples, mas tão carregadas de sentimento que emocionam. São tão significativas tanto no ponto de vista profissional quanto emocional.
o Pobre menino “D”
Postado em comentário em dezembro 16, 2010 por Alan
Sobre “D”
Portador de esquizofrenia, autismo, retardo mental e asma, 13 anos, não tem pai, mora com um irmão mais novo e a mãe, (que apresenta caráter duvidoso). Antes do tratamento costumava prender cachorros em casa, abria os animais com faca ainda vivos, tirava os órgãos e se lambuzava de sangue, não deixava cortar o cabelo nem as unhas, não se comunicava com ninguém se recusava a tomar medicamentos.
Tem ainda o costume de ficar na porta da casa onde mora com dois baldes de plástico, posicionando a mão em concha transfere água de um balde a outro sem descanso. Mesmo não estando nessa atividade à mão continua sempre em forma concha.
Ensinamentos de “D”:
“Tenho medo da noite, minha mãe sempre sai e não volta”.
“Tem noite que “V”, meu namorado, vem me visitar, ele é mal, me fere com um garfo”.
““V” às vezes é bonzinho, me dá banho me faz carinho e me coloca para dormir”.
“Gosto de vir aqui, tem comida e todo mundo gosta de mim”
“O papai Noel vai chegar à minha casa e trazer frango assado, pernil e pesente para todo mundo”
“Minha mãe não cuida de mim, não faz comida e sai toda noite.”
Obs. “D” após um ano de tratamento no CAPS comunica com alguns profissionais, concorda em fazer higiene pessoal e toma os medicamentos diariamente. (para que tome o medicamento é preciso que todos fechem os olhos ou escondam o rosto com as mãos.)
Absorto perante as declarações de “D” descobri que “V” o namorado, realmente não existe, os cachorros que sacrificava, tinha relação com um cachorrinho de estimação que sua mãe possuiu. o qual enchia de carinho e atenção. Talvez o fato de ele abrir os animais tentasse de alguma forma descobrir a atenção da mãe.
Alcoolismo
Postado em comentário em dezembro 15, 2010 por Alan“N” é alcoolista, dona de casa, casada, 2 filhos, analfabeta, quatro anos abstêmia, passou por seis internações em hospital psiquiátrico, atualmente é voluntaria na cozinha do CAPS.
“Todas as vezes que voltava do hospital, passava no bar e comprava bebida”
“Hoje estou feliz aqui, fiz um juramento de ajudar a quem precisa”
“Sinto-me forte, levanto as 4 da manhã para fazer almoço para meu marido e tenho uma relação tranquila com meus filhos”.
Obs. “N” deu nome ao nosso grupo de referência* de “VItÓRIA”.
* projeto desenvolvido para dar assistência aos usuários do CAPS, de modo que tenham voz, é um espaço aberto para troca de informações relacionadas ao tratamento, alguns pacientes utilizam o momento para desabafar e questionar. Os encontros são semanais e cada profissional referencia 10 pacientes.
Experiências maravilhosas 3
Postado em comentário em dezembro 10, 2010 por AlanVerão, calor escaldante, SLN foi aconselhado a tirar a jaqueta de inverno que estava vestido e colocar uma roupa mais apropriada:
“Eu sou lavrador, resisti ao calor do corte de cana, a terra fumegante …
Resisti a cama com choque do hospital… O que não aconteceu com AM que não voltou mais e se foi para sempre. Eu votei.”
A Loucura de não ser louco
Postado em angel delirius, artes do cotidiano, comentário em dezembro 8, 2010 por Alan“Temo que tudo isso acabe de uma hora para outra e eu volte ao hospital, aqui eu me encontrei.”
“Eu não vou internar vou?”
“Quando no hospital eu me sentia um lixo humano, não tinha nome nem cor, nem sapato. Eu perdi o meu nome”.
“Gostaria de esquecer de tudo, mas não consigo.”
(Depoimentos de pacientes do CAPS – 2010)
Iniciou com Dr. Pinel o batalha contra a internação e o isolamento da loucura. Século XXI e ainda constato as cicatrizes mentais, impossíveis de desaparecer, nos pacientes ex-internos, convivem diariamente com a nódoa provocada pela negação da sua individualidade, pela mortificação total dos seus desejos e anseios e o pior, da sua liberdade de exprimir os sentimentos. São degredados que foram perdidos em um pesadelo químico, indefesos das ações de violência e da covardia do tratamento manicomial.
Utilizam-se como estratégia para o entendimento, a separação temporal das diversas interpretações da loucura, porém, ela está presente na íntegra até os dias atuais. Nós ainda somos testemunhas do preconceito construído neste trajeto a contramão da humanidade e estamos longe ainda de viver sem eles. Ouvimos diversos profissionais da saúde e familiares de pacientes analisando o “sofrimento mental” como faziam antes de Cristo ou na idade média.
A loucura ainda precisa ser revista nos conceitos humanos, precisa ser deliciada com a convivência das diversas nuanças humanas, evidenciada por entes especiais, solidários e portadores de belezas infinitas.
Inferno Astral
Postado em comentário em dezembro 2, 2010 por AlanDor mental, respiração ofegante, perda do apetite, não só aquele de comer comida, são sintomas característicos do mês de dezembro, afinal há meio século convivo com esse anão que senta em meu peito.
Lembrei-me de uma metáfora de Rubens Alves digna de um sábio, sempre traduzindo o que gostaríamos de dizer.
“A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado. Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário. Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte.”
TENTAÇÃO (Salete Gurgel)
Postado em poesia em dezembro 1, 2010 por AlanExperiências maravilhosas 3
Postado em comentário em novembro 30, 2010 por AlanSC entra na minha sala, eu estava ouvindo Bach (no computador), ela senta, olha para fontinha de água (com formato de sol), que sempre fica ligada na minha mesa, fecha os olhos e descansa as costas no sofá –“Eu adoro a água do sol, ela refresca minha cabeça e até ouço música do céu, e como se estivesse me banhando e sonhando”, você tem os mesmos gostos que eu, também sou erudita.”
SC é portadora de esquizofrenia e semi-analfabeta.
Insano?
Postado em comentário em novembro 29, 2010 por AlanSe tivesse que definir SLN em poucas palavras seria “Responsabilidade, solidariedade”, “Gentileza e compaixão”, ele auto identifica-se a todo o momento, relata seu nome, idade e enumera seus entes queridos, como se isso fosse trazê-los para perto. Muitos daqueles que no passado negligenciaram na sua relação de amor.
O fato de ele dizer seu nome repetidas vezes resgata a memória de diversas internações que provocaram a sua mortificação mental, a despersonalização, a perda da sua identidade em uma nuvem de uniformes brancos e vaporosos, é como se tivesse medo de desaparecer no caos na miséria humana a que vivenciou.
A lembrança de seus entes queridos incansavelmente exercitada até a exaustão faz com que ele não os perca na memória. Memória esta enevoada por dezoito comprimidos diários. Ou a compensação da carência na memória visual.
Doou seu próprio rim para salvar personalidade política e carismática da comunidade;
Não aceita nada que não possa ter utilidade para sua sobrevivência;
É autor diário de gentilezas no tratamento com as pessoas do seu convívio;
Torna-se extremamente preocupado em pagar o que deve, não comprando nada alem da quantia que recebe do benefício mensal, ou da pensão que sistematicamente tem que pagar para filha.
Todos que o conhecem de longa data dizem; “A sua insanidade fui fruto da gravidez da noiva, nunca mais voltou a realidade”, O que teria levado SLN a se tornar insano? – Seria a possibilidade de possuir algo pelo resto da vida, ou o medo de se ver retratado naquele ser em formação.
Insanidade?








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