Mercadoria de Luxo (por eneida marques)

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Pois é, fico até constrangida em escrever em um blog tão chique, 

tão  preocupado com questões estéticas enquanto eu, cada vez mais,

enquanto envelheço, volto-me para o que há de essencial nas coisas -

esteja exposto ou não, seja claro ou escuro, bonito ou feio.

 

Algo sobre o que andei pensando foi o roubo – e posterior resolução,

 pela polícia - dos quadros do Masp, ainda bem! Quando aconteceu, eu

tinha acabado de ver em dvd o filme ‘ Saneamento básico’ do Jorge

Furtado( que aliás recomendo) E nesse filme somos confrontados

 com aquestão: o que é mais importante, termos produtos da cultura

ou termos sanamento básico, neste país?

 

Quando soube que os quadros  foram roubados do MASP, tive a

sensação dolorosa de que havia perdido um amigo, parente…alguém

muito querido.  Pois bem, mais  tarde, ao ser (pseudo?) informada

sobre os detalhes e circunstâncias do roubo e de como foi a sua

 resolução e, ainda, poder prever de até onde irão as prisões, achei que

algo assim só poderia acontecer aqui mesmo. Assim como aquela tela

do trabalhador só poderia ser do Portinari e o fato de o próprio Masp

 ser o filho dileto do Chateaubriand e ter sido erigido sobre os despojos

 de uma guerra…Uma coisa está visceralmente ligada à outra: nós só

  temos os produtos culturais que temos porque temos o esgoto que

temos….Fico com pena dos ladrões que agora estão presos: como o

 lavrador de café, foram apenas instrumento para que alguns poucos

possam fruir de uma arte cada vez mais “privada”, objeto de ecoração,

 mercadoria  de luxo.

~ por eneidamarques em Janeiro 15, 2008.

3 Respostas to “Mercadoria de Luxo (por eneida marques)”

  1. Querida
    o belo, o estético são essenciais a qualquer ser vivente. Não teriamos Portinari se o estético, o belo não fossem primordiais aos olhos de quem vê.
    Concordo que a “arte” neste pais ainda esteja longe de ser massificada, mas cada seguemento faz sua propria arte e de forma genial.

  2. Claro! E você concordará que, se houve sacrifício para que fossem produzidas estas obras e, depois, sei lá quais os caminhos foram os que as trouxeram até nós, nós temos todos o DIREITO de nos deleitar…. não?

  3. mas não roubar…. rsssssssss

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