O Efeito da autocompaixão na saúde

Posted in comentário on março 11, 2011 by Alan

Você se trata tão bem quanto trata

seus amigos e familiares?

TARA PARKER-POPE
DO “NEW YORK TIMES”

Essa pergunta está na base de uma nova e crescente área de pesquisa psicológica intitulada autocompaixão, que avalia a benevolência com que as pessoas se vêem.

Pesquisas sugerem que aceitar as próprias imperfeições é o primeiro passo para uma saúde melhor. Pessoas com notas altas em testes de autocompaixão têm menos depressão e ansiedade.

Dados preliminares sugerem que a autocompaixão ajuda até a perder peso.

Essa ideia parece contradizer os conselhos de médicos e livros de autoajuda, que sugerem que autodisciplina leva a uma saúde melhor.

Segundo Kristin Neff, pioneira nesse campo, a maior razão pela qual as pessoas não têm mais compaixão por si mesma é o medo de se tornarem autoindulgentes.

“Elas acreditam que é a autocrítica que as mantém na linha. A maioria das pessoas se equivoca, porque nossa cultura recomenda que sejamos intransigentes”, afirma Neff, professora de desenvolvimento humano da Universidade do Texas, em Austin

EXCESSO DE CRÍTICA

Imagine como você reagiria a uma criança com problemas na escola ou que come junk food demais. Muitos pais ofereceriam ajuda a ela.

Mas quando adultos se encontram em situações semelhantes, muitos caem em um ciclo de autocrítica e negatividade. Isso os deixa ainda menos motivados para efetuar mudanças.

“A razão pela qual você não deixa seu filho comer cinco potes de sorvete é que você se preocupa com ele. Se você se preocupa consigo mesmo, faz o que é saudável e não o que fará mal.”

Uma resposta positiva à afirmação “desaprovo minhas próprias falhas e inadequações e me avalio mal por isso”, por exemplo, aponta para falta de autocompaixão.

Nesse caso, escrever uma carta de apoio para si mesmo ou listar suas qualidades e defeitos, lembrando que ninguém é perfeito.

Se tudo isso soa um pouco tolerante demais, há evidências científicas que confirmam a validade da teoria.

Uma pesquisa na Universidade Wake Forest convidou 84 mulheres a comer donuts.

Para um grupo, o instrutor disse: “Todo o mundo que participa do estudo come isto, então não há razão para você se sentir mal por isso.” Para outro grupo, ele não disse nada. Resultado: o primeiro grupo, com menos culpa, comeu menos.

“O problema é que é difícil desaprender os hábitos de toda uma vida”, afirma Neff.

Editoria de Arte/Folhapress

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recomeço

Posted in artes do cotidiano, comentário on fevereiro 21, 2011 by Alan

Quando apontei no portão do CAPS, após um mês de ausência, vi nos rostos dos pacientes, sorrisos de boas vindas.  Foram quarenta minutos para responder as perguntas e dar explicações de como foi minhas férias, também de escuta de quanto SLN, DSM, ACS e outros  sentiram minha falta. SCO ficou meio arredia e sempre a distancia me olhava com disfarce, foi chegando devagar até bem perto de onde eu estava. Pus a mão no seu ombro e carinhosamente perguntei – O que houve? – Após um emaranhado de gestos e reviravoltas nas órbitas dos olhos ela me perguntou – “Onde você estava, quando aqui eu vinha todos os dias? – Foi um pequeno descanso, mas estou de volta, respondi. – Para algumas coisas tarde demais, para outras ainda em tempo. Agora vá trabalhar-.

Meio século de vida, penso em Voltaire e faço um pedido à Terra.

Posted in comentário on dezembro 29, 2010 by Alan

“Como é duro odiar os que se gostaria de amar.”

Dos iluministas o mais cínico, Voltaire nos traz nas entrelinhas desta frase tanta verdade, quanto verdadeiro é o nosso dia a dia de simples mortais.

Penso o quanto gostaria de amar todas as pessoas, os governantes, os fazedores das leis e os possuidores da balança que nos julga. O quão seria bom encontrar seriedade, confiança, humanidade e respeito nos atos daqueles que deveriam nos proteger e amar enquanto seres humanos e cidadãos.

São pessoas como eu, como você.

Porém dotados do poder, exercem, utilizam meios completamente ignóbeis e avessos para o fim desumano, faria Clístenes, convencionalmente chamado o “pai da democracia, revirar no túmulo de mármore grego.

Não obstante, o mármore é a pedra fundamental para este espécime, bonita aos olhos, moldável as conveniências, absorve da água límpida ao pútrido lodo.

Como viver e conviver com idéias tão contraditórias a tudo que se materializou e se tornou valores essenciais e vitais para mim.

Meio século de vida neste planeta.

“Terra! Terra! Por mais distante. O errante navegante. Quem jamais te esqueceria?…”

Terra!!  Não queria te odiar, queria ter enorme amor nos meus olhos enquanto te sinto em meus pés, portanto, faz-se valer da sua maternidade criadora de homens e perpetua o sentido maior de viverem em ti e para ti e primordialmente para nós.

Natal (reflexão)

Posted in comentário on dezembro 24, 2010 by Alan

Já é natal.

Não posso me conter.

em volta da mesa pessoas se juntam em nome do peru, do abacaxi da pinha,

dormem enfastiados, vomitam e peidam para os que nada tem.

sorrisos e choros de crianças mal criadas,

nunca se satisfazem com o que traz o  velho gordo.

outras adormecem sobre o estômago oco,

sonham com altdors cheios de sorrisos e presentes vermelhos,

andam pelas ruas no ritmo dos sinos que os fazem lembrar que foram esquecidas.

solitários, trôpegos e famintos margeiam o canal procurando o pasto,

burros e jegues sopram e aquecem o prato vazio,

a estrela sumiu no meio da fumaça de veneno.

reis negros e brancos trocam tiros no bar da esquina delimitando o território.

Meu Deus !!!!!!!!!!!!!!!!

esqueceram o menino.

obs. dedico este post aos “atletas que em evento promovido pelo patrocinador do time, maioria dos jogadores do Santos se recusaram a fazer entregas de ovos de páscoa para 34 pessoas – entre elas crianças e adolescentes com paralisia cerebral – porque a instituição beneficente segue a rotina espírita.
Neymar, Robinho e Ganso, entre outros, foram até o local, mas não desceram do ônibus.

Como posso concordar com ídolos da atualidade, cheios de músculos e sem nenhum crescimento humanitário.

“Cresçam Pessoas”

Férias

Posted in comentário on dezembro 22, 2010 by Alan

 

Lembro-me que há oito anos estava nesta mesma euforia, chegada das férias, agora após todo este tempo  não sei o que fazer.

Os pacientes do CAPS, como sempre transparentes como cristal  fizeram questão de dizer o que estão sentindo:

 

SLN :  “Você vai vir nos visitar, vou sentir saudades, afinal somos amigos. Não somos?”

JAM:  “Vim aqui te desejar boas férias”.

N:       “Acho que vou tirar férias com você, quando voltar eu também volto”.

 

São palavras simples, mas tão carregadas de sentimento que emocionam. São tão significativas tanto  no ponto de vista profissional quanto emocional.

 

o Pobre menino “D”

Posted in comentário on dezembro 16, 2010 by Alan

 

Sobre “D”
Portador de esquizofrenia, autismo, retardo mental e asma, 13 anos, não tem pai, mora com um irmão mais novo e a mãe, (que apresenta caráter duvidoso). Antes do tratamento costumava prender cachorros em casa, abria os animais com faca ainda vivos, tirava os órgãos e se lambuzava de sangue, não deixava cortar o cabelo nem as unhas, não se comunicava com ninguém se recusava a tomar medicamentos.
Tem ainda o costume de ficar na porta da casa onde mora com dois baldes de plástico, posicionando a mão em concha transfere água de um balde a outro sem descanso. Mesmo não estando nessa atividade à mão continua sempre em forma concha.
Ensinamentos de “D”:
“Tenho medo da noite, minha mãe sempre sai e não volta”.
“Tem noite que “V”, meu namorado, vem me visitar, ele é mal, me fere com um garfo”.
““V” às vezes é bonzinho, me dá banho me faz carinho e me coloca para dormir”.
“Gosto de vir aqui, tem comida e todo mundo gosta de mim”
“O papai Noel vai chegar à minha casa e trazer frango assado, pernil e pesente para todo mundo”
“Minha mãe não cuida de mim, não faz comida e sai toda noite.”

Obs. “D” após um ano de tratamento no CAPS comunica com alguns profissionais, concorda em fazer higiene pessoal e toma os medicamentos diariamente. (para que tome o medicamento é preciso que todos fechem os olhos ou escondam o rosto com as mãos.)

Absorto perante as declarações de “D” descobri  que “V” o namorado, realmente não existe, os cachorros que sacrificava, tinha relação com um cachorrinho de estimação que sua mãe possuiu. o qual enchia de carinho   e atenção. Talvez o fato de ele abrir os animais tentasse de alguma forma descobrir a  atenção da mãe.

Alcoolismo

Posted in comentário on dezembro 15, 2010 by Alan

“N” é alcoolista, dona de casa, casada, 2 filhos, analfabeta, quatro anos abstêmia, passou por seis internações em hospital psiquiátrico, atualmente é voluntaria na cozinha do CAPS.

“Todas as vezes que voltava do hospital, passava no bar e comprava bebida”

“Hoje estou feliz aqui, fiz um juramento de ajudar a quem precisa”

“Sinto-me forte, levanto as 4 da manhã para fazer almoço para meu marido e tenho uma relação tranquila com meus filhos”.

Obs. “N” deu nome ao nosso grupo de referência* de “VItÓRIA”.

* projeto desenvolvido para dar assistência aos usuários do CAPS, de modo que tenham voz, é um  espaço aberto para troca de informações relacionadas ao tratamento, alguns pacientes utilizam  o momento  para desabafar e questionar. Os encontros são semanais e cada profissional referencia 10 pacientes.